Nem as Águas, nem o Fogo

Quando eu tinha cerca de quinze ou dezesseis anos fui passar um período de minhas férias em uma cidadezinha do interior da Bahia chamada Tanquinho de Feira. Lá ficávamos na zona rural. Era uma casa humilde que não tinha luz elétrica nem água encanada. Tínhamos que carregar água e tomávamos banho com balde perto de um açude. Nosso lazer se resumia a tirar frutas nas árvores, jogar conversa fora, o futebol no final da tarde e o mergulho no rio que ficava a alguns quilômetros de distância.

Naquela época eu estava ainda aprendendo a nadar, coisa que até hoje não aprendi, e, como todo adolescente, não tinha muito senso de perigo. Alguém propôs que atravessássemos o rio a nado e todos toparam. Atravessamos e chegamos à outra margem onde ficamos sentados nas pedras conversando. Depois de curtir o sol, tentar pescar alguma coisa, sem sucesso, e um bom papo, resolvemos atravessar de volta.

Cheguei até quase a metade do caminho sem maiores problemas, mas à medida que me aproximava do meio do rio, sentia os braços mais pesados e os músculos endurecidos, cada vez se tornava mais penoso prosseguir. Pouco depois notei que, por mais que tentasse, minhas braçadas não me levavam a lugar nenhum, eu simplesmente não saía do lugar. De súbito, notei que estava me afogando!

Gritei por socorro, mas como é comum acontecer, a primeira reação foi de incredulidade, pensavam que eu estava brincando. Continuei batendo os braços do jeito que podia, tentando não afundar e pedindo ajuda, só quando afundei a primeira vez foi que meus amigos levaram a sério meus apelos. Nadaram até lá e tentaram me resgatar, mas nenhum de nós, todos na faixa dos dezesseis anos ou menos, tinha segurança de como proceder nestes casos. Sem saber como fazer, acabei dando um “abraço de afogado” em um dos meus amigos e quase que vamos os dois pro fundo.

Afundei a segunda vez e me passou pela cabeça que talvez eu morresse afogado. Voltei à superfície mais uma vez e afundei de novo, só que desta vez topei com uma pedra no fundo, usei o que me restava de forças e dei um impulso com as pernas que me possibilitou chegar a uma pedra e desta para a superfície. Meus salva-vidas a esta altura estavam me procurando quando sinalizei para eles que já estava em segurança.

A vida muitas vezes é assim também. Os problemas se avolumam e parece que nadamos contra a correnteza e por mais que nos esforcemos nunca chegamos à margem. Simplesmente não saímos do lugar. É aquele emprego que nunca vem; aquele filho que continua rebelde; aquele vício que recaímos vez após vez; as decepções amorosas que se sucedem; a crise financeira que parece eterna; as crises familiares intermináveis... Posso continuar a lista indefinidamente, pois cada um de nós tem aquela situação que nunca parece se solucionar, por mais que lutemos, por mais que tentemos, por mais que creiamos que Deus irá intervir e nos livrar.

Sentimo-nos como eu me senti naquele momento em que as águas teimosamente não respondiam às minhas braçadas cada vez mais descoordenadas.

Outras vezes nossos problemas são como fogo. Destroem tudo ao nosso redor de maneira rápida e terrível. É a tragédia da perda de um ente querido; uma enfermidade que nos angustia a alma; assalto; acidentes; divórcio; uma traição descoberta; o desemprego que nos pega de surpresa. São situações repentinas que nos desnorteiam e nos fazem perder o prumo, o chão parece se abrir debaixo de nossos pés e o nosso coração arder em perplexidade.

A angústia do viver está sempre à espreita. Num dia qualquer tudo pode desmoronar repentinamente, ou problemas de muito tempo podem ir ganhando forças pouco a pouco até nos sufocar por completo. Este é o drama humano. Quando menos esperamos podemos ser tragados pelas águas ou consumidos pelo fogo das crises. Não é raro, acontecer de estes problemas, estas águas e estas chamas, nos tragarem e roubarem nosso ânimo, nossas energias, nossas esperanças e até mesmo nossa vida.

Mas em todas estas coisas temos um Deus que se preocupa conosco. O Senhor nos diz que se passarmos pelas águas das vicissitudes ele estará conosco e nós não afundaremos ante as dificuldades, Ele diz que mesmo que tenhamos que passar pelo fogo, ainda assim, não nos queimaremos. O Senhor não nos promete que teremos uma vida sem lutas, mas nos diz que não devemos temer, Ele estará conosco em todo tempo. Não importam o tamanho das lutas, nem as circunstâncias, mesmo em nossa infidelidade, Ele permanece fiel. As águas não lhe afogarão, nem o fogo lhe queimará. Foi Ele quem lhe criou, formou e remiu.

Ele te chama pelo nome e diz: “tu és meu”.

“Mas agora, assim diz o SENHOR, que te criou: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.” (Isaías 43:1-2).

Agindo Deus, quem impedirá?

Não Desista!


Pr. Denilson Torres
blognaodesista.com.br

2 comentários:

  1. Estar em comunhão com Deus nos permite sair de situações como as descritas no texto, não é fácil mesmo assim, pois há momentos em nossas vidas que nos chocam tanto o corpo e o espírito que por vezes esquecemos de pegar na mão do Senhor para nos socorrer. O bom é que Deus nunca esquece de nós, nunca desiste de nós e nos sustenta mostrando todo o seu poder. Já passei por isso e já pude provar do grande amor de Deus e dos milagres que fez em minha vida, A Ele toda a honra e toda a Glória. Deus abençoe o seu ministério Pr. Denilsom Torres.

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    1. Paz e bem,

      Querida irmã, muito obrigado por compartilhar conosco o seu testemunho. Realmente só o caminho da comunhão e da certeza do amor Dele é que pode nos sustentar nestes momentos difíceis.

      Que você trilhe este caminho sempre e que o Senhor a abençoe!

      Um grande e fraternal abraço.

      Pr. Denilson

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