Combustível Para Sonhos

Quando José teve os sonhos de Deus e falou sobre eles para a sua família, seus irmãos ficaram revoltados ante a ideia de prostrarem-se diante do “sonhador”. A clara predileção de Israel pelo filho mais novo, por si só, era uma agressão para os demais. Foi a José, e não a Rubem, o primogênito, que o pai dera uma túnica especial e tratava com privilégios de atenção e carinho que não compartilhava com os demais filhos, afinal ele era o primeiro filho da mulher a quem Jacó sempre amara. 

Além disso, José era quem comunicava ao pai os malfeitos de seus irmãos.  Os sonhos de José foram a gota d’água que fez transbordar a perseguição, a exclusão, e o ódio dentro de sua própria casa. Movidos por estes sentimentos seus irmãos primeiramente planejaram mata-lo, mas terminaram vendendo-o como escravo ao Egito.

No Egito José trabalhou diligentemente e terminou conquistando graça ante os olhos do seu senhor, tornando-se o administrador de todos os bens da casa. Na antiguidade o escravo era considerado como uma rês, ser escravo era mais ou menos como ser um boi, um cavalo ou um jumento. Para o seu senhor coloca-lo em posição de destaque não tinha nada de sentimento de humanidade, era apenas como usar melhor um boi que puxa bem o arado, mas tendo em vista a situação em que ele estava já era um avanço em tanto.

As coisas pareciam menos rins, mas havia um plano de Deus para a vida de José. O problema era que o “plano de Deus” tornava sua vida cada vez mais difícil!

A mulher de Potifar viu o jovem vigoroso e belo e o desejou, fez propostas, assediou-o.

Agora quero que você preste bastante atenção para discernir o que o Diabo estava tramando, pois este foi o teste crucial para José. Naquele momento, aos olhos dos valores que regem este mundo, ele estava com “a faca e o queijo nas mãos”. Bastava atender aos desejos de sua senhora, satisfazer-lhe os apetites e passaria a ser o verdadeiro senhor da casa, pois governaria tanto os bens quanto a esposa do homem que julgava mantê-lo como escravo. Ceder era a coisa mais “esperta” a fazer, mas também significava abrir mão de Deus.

Naquele momento certamente Satanás soprara aos ouvidos de José:

“Onde estava Deus quando:

- Você foi odiado por seus irmãos?
- Planejaram sua morte?
- Quando lhe lançaram em uma cisterna sem ter como escapar?
- Quando foi vendido como escravo a um povo desconhecido?
- Quando lhe afastaram de seu amado pai?
- Quando fizeram de você menos do que um ser humano?
- Quando lhe tiraram da vida abastada para lhe fazer pior que um animal?
- Onde estava Deus?

- Toma agora a mulher de Potifar, conquiste a sua dignidade de volta. Ela é a única que lhe vê como homem e não como animal. Esqueça-se de Deus e dos sonhos impossíveis e alcance o que é possível!”.

Na nossa caminhada muitas vezes vivemos situações como esta, onde temos de optar entre agir conforme o que é mais “esperto” ou “sensato”, conforme os valores do mundo, ou agir conforme a fé que muitas vezes parece ilógica e potencialmente pode nos conduzir a uma situação aparentemente pior. Podemos ter que decidir entre confessar ou esconder; entre falar a verdade ou mentir; entre pedir perdão ou manter as aparências; entre andar conforme as coisas do mundo ou ser cristão.

José escolheu ser fiel a Deus. E o pior aconteceu. Por causa de sua fidelidade acabou indo para um lugar ainda mais terrível que a escravidão: a cadeia.

Muitos teriam se revoltado contra Deus, ou até abandonado a fé. Afinal, foi o sonho dado por Deus que o fez escravo em uma terra estrangeira e foi a sua fidelidade a este mesmo Deus que o lançou na prisão. Até aqui em sua vida, tudo o que envolvia o Senhor trazia problemas para José. Ele saiu da vida de “filhinho de papai” para ser escravo em uma terra estrangeira e daí deu mais um salto para trás sendo jogado nas torturantes prisões egípcias.

Na antiguidade estar na cadeia significava viver em um buraco na terra, pois normalmente as prisões eram escavações subterrâneas ou cavernas adaptadas, lá não havia a luz do sol, nem passeios em pátios, visitas inexistiam, a humidade e o calor e abafamento inclemente destruíam os espíritos e a saúde, os carcereiros em sua maioria eram algozes sádicos, muitos enlouqueciam, e a morte por desidratação ou desnutrição era o alívio mais comum. Este parecia ser o destino final do jovem rapaz que um dia fora o filho predileto de um homem extremamente rico.

Eu considero um milagre este jovem conseguir perseverar diante de tantas adversidades. Suas vicissitudes não eram devido aos seus pecados, nem à sua infidelidade, pelo contrário, sua sucessão de desventuras foi causada por confiar em um sonho de Deus e por se manter fiel quando ceder ao pecado parecia ser o caminho mais sensato. Se havia alguém que poderia se sentir abandonado por Deus, este alguém era José, mas apesar de sua vida ir de mal a pior por causa da fé, José ousou continuar confiando e sendo fiel.

Ele deveria ser um poço de desânimo, decepção e revolta, mas, contrariando todas as expectativas, continuou com o bom ânimo que o caracterizava. Diligente e competente, conquistou a confiança do carcereiro e passou a administrar a prisão.

Um dia, o padeiro e o copeiro de faraó, que haviam sido lançados nesta mesma prisão, tiveram sonhos que os inquietavam e contaram a José. Antes de lhes dar a interpretação, José, mais uma, mostrou onde residia a sua esperança que o mantivera ainda otimista e de bom semblante, mesmo diante de tantas e tão terríveis experiências. Ele declarou: “É Deus quem me dá a capacidade de interpretar sonhos”. O garoto rejeitado, perseguido, traído, injustiçado, não havia perdido a fé no seu Senhor!

Mas nada foi fácil na vida de José, mesmo depois de interpretar os sonhos e depois que o copeiro foi recolocado diante do rei, como ele previra, ainda assim ele foi esquecido na prisão.

Um dia, porém, depois de ter amargado todas estas dores, Deus entrou na história de maneira decisiva. Depois do teste do tempo, depois de provado como poucos seres humanos já o foram em suas vidas, José finalmente foi lembrado quando o faraó teve um sonho e ninguém conseguia interpretar e, dali em diante, Deus reescreveu a sua história. Ele se tornou governador do Egito e os sonhos de Deus se cumpriram.

O irônico é que, pensando que estavam destruindo os sonhos de José, os seus irmãos terminaram contribuindo para que o projeto de Deus terminasse se realizando.

Mesmo em todo o seu sofrimento a Bíblia reiteradamente nos diz que Deus era com ele. Mesmo traído por seus irmãos, mesmo debaixo da escravidão, da calunia, da perseguição e da prisão, em todas estas coisas Deus estava com ele. Assim como Deus está com você não importando as circunstâncias, mesmo quando aparentemente Ele não está.

Talvez você sofra com perseguições, calunias e opressão, mas Deus quer que você não desista e permaneça fiel a Ele. Se permanecer firme no Senhor, você verá que aquilo que hoje parece ser caminho de fracasso será usado por Deus como instrumento para que os planos Dele, que nunca são frustrados, se cumpram em sua vida e verá na prática que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8:28)

A sua fidelidade é o combustível que alimenta os sonhos do Senhor.

Não Desista!

Pr. Denilson Torres
blognaodesista.blogspot.com.br 
 

2 comentários:

  1. olá meu irmâo eu sou o presbítero andré lopes moro em salvador.eu entrei neste estudo pois sou um amante da palavra de Deus eu achei muito bom e interessante achei palavras de ânimo,conforto,edificaç}ao e etc.eu sou muito observador em cada detalhe que estou lendo até mesmo a propria biblía e nâo é desmerecendo a sua pessoa e nem os estudos pois como eu falei anteriormente estes estudos sâo muito edificantes porém nâo deixei de notar erros no estudo de jose lá na introduçâo no trecho em que cita jose como o filho mais preferido que o primogenito lá esta dizendo que o primogenito é judá sendo que na verdade o primogenito segundo diz a palavra de Deus é Rúbem .

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    1. Querido irmão André. Muito obrigado por sua observação. Já está corrigido no texto. Que Deus seja sempre contigo e que você continue zeloso da Palavra, que Ele multiplique o seu ministério e o faça prosperar sempre!

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