AOS PÉS DO FAROL

Paz e bem,
Fui buscar meu filho no hospital. Ele teve uma reação alérgica por causa de um sanduíche e os médicos acharam por bem mantê-lo em observação. Enquanto aguardava a alta do hospital, resolvi dar uma volta para refletir. Fui até o Farol da Barra, um dos cartões postais aqui de Salvador. É uma belíssima construção que data do século XVII, mais precisamente 1627, visava defender a cidade do ataque de piratas, muito comum àquela época. De lá do farol se tem uma maravilhosa visão da cidade e se observa um dos mais belos pôr-do-sol de Salvador. A foto que ilustra este texto foi tirada por mim, da janela do hospital onde meu filho ficou internado, acho que dá para se ter uma idéia da beleza que é.
Bem, como eu estava dizendo, eu fui ao farol dar uma volta; desci a escarpa que o circunda e fiquei junto ao mar, apreciando o espetáculo das ondas batendo nas pedras aos pés do farol. Não sei quanto a você, mas eu particularmente sou muito tocado pela visão do mar, em meus momentos de lutas tenho o hábito de pegar o carro e ir circundando as praias de Salvador, desde o Porto da Barra até Itapuã, são cerca de vinte quilômetros à beira mar ao final dos quais invariavelmente encontro-me mais tranqüilo. São momentos preciosos de intimidade com Deus.
Ali aos pés do farol, vendo as ondas batendo contra as pedras, refleti sobre quão efêmero é a nossa existência. Essas ondas já se chocavam contra as pedras muitos séculos antes de eu e você existirmos, mesmo antes de o farol ter sido construído, ou do primeiro habitante humano desta terra, talvez mesmo antes de o Senhor soprar do fôlego da vida nas narinas de Adão. E depois que nós nos formos, estas ondas continuarão seguindo este ritual de arremessarem-se contra as rochas num pas de deux de um ballet encantador.
Refletir sobre isto me dá um pouco da dimensão de como nossa vida é um sopro que se vai, uma nuvem que se esvai, e que este período que passamos de angústias, lutas, dores, decepções, tristezas, alegrias e vitórias é um átimo diante da eternidade que nos espera. Sim, pela misericórdia do Senhor nossos dias são abreviados, pois o que seria de nós se os hitlers, maos, stalins e tantos outros vilões do nosso dia-a-dia, vivessem eternamente? O que poderíamos esperar se mesmo neste mundo, onde os recursos são fartos, quarenta por cento da população vive abaixo da linha da pobreza e um quinto vive abaixo da linha da miséria? Sem falar nos desenganos, mentiras, traição, decepções, violência, abusos, traumas que tantos vivem mesmo neste mundo efêmero.
Nossa vida é apenas um sopro frente à eternidade, e é nesta eternidade onde impera a justiça, que iremos estar diante Dele para recebermos de acordo com o bem e mal que praticarmos, mas sabendo sempre que o amor triunfará sobre o juízo para todo aquele que for tocado pelo Espírito e entregar sua confiança à graça de Deus em Cristo Jesus.
Isto me fala também deste amor de Deus; a Palavra nos diz que fomos eleitos antes da fundação do mundo, ou seja, mesmo antes de essas águas começarem a se chocar nestas pedras o Senhor já te amava, e muitos e muitos milênios depois do dia em que elas pararem de bater, e elas um dia irão parar, o Senhor continuará a te amar. Esta misericórdia de Deus nos acompanha onde quer que nós estejamos, e por mais que a vida nos pregue peças, Ele estará conosco, ainda mais constante do que as águas que batem nas pedras aos pés do farol.
Pr. Denilson Torres
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