GETSÊMANI
Na noite escura de minha alma
Busquei consolo, mas nada.
Me lembrei de tua madrugada, a mais sombria
No Getsêmani.
Então chorei por tua solidão e pela minha.
Nas minhas largas horas de abandono
Conheci um pouco mais do ser humano
E de como é difícil amar como tu.
Aceitar, compreender, ser paciente e perdoar
Tua forma de ser, absolutamente única,
De conviver com a incapacidade humana
De verdadeiramente amar
Naqueles poucos momentos que te restavam de vida
Antes que te sangrassem até a última gota
Suaste sangue e tremeste bem no fundo de tua alma
Suplicaste ao Pai, se acaso fosse possível
Que fosse passado adiante o cálice da dor.
Estou aprendendo.
Contigo tudo poderei superar.
Estou aprendendo contigo
Algo mais acerca do amor e do desamor
E como seguir carregando a cruz
Que me cabe levar
Tu a carregaste inteiramente sozinho.
Doído e só.
A minha, eu a carrego contigo
Olhando teus olhos compassivos
Recebo de ti a ternura que desejaste encontrar
Àquela noite, no olhar de teus amigos
A mesma que desejei encontrar nos meus
E também não encontrei.
Mas quando eu chorei, em minha fragilidade
Tu me escutaste
E de um deserto horrível me alçaste
Por esse fio invisível que me une a ti
A fé, certeza de coisas que se crê
Ainda que não se as possa ver
Misterioso milagre, que graciosamente doas
Aos que te amam.
Rita Cytryn
Ministério Fruto do Espírito
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