GLORIAR-ME-EI DAS COISAS DA MINHA FRAQUEZA
“Três vezes fui açoitado com varas, uma vez apedrejado, três vezes naufraguei, um dia e uma noite passei no abismo; muitas vezes estive em jornadas, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos da minha raça, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos na solidão, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalho e fadiga, em vigílias muitas vezes, com fome e sede, em jejuns muitas vezes, em frio e nudez; além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, o cuidado de todas as igrejas. Quem enfraquece, que eu não enfraqueça? quem é levado a tropeçar, que eu não me abrase? Se é necessário gloriar-me, gloriar-me-ei das coisas da minha fraqueza. O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é bendito para sempre, sabe que não minto.” (I Co 11:25-31)
O celular toca. Olho o identificador de chamadas, o número do celular de Leila aparece no mostrador. Atendo:
- Alô, é o senhor Denilson? – Uma voz estranha fala do outro lado. Pensei, será que Leila perdeu o celular?
- Sim. – Respondi.
- Aqui é fulana – Fala a voz do outro lado, o nome não lembro mais – A sua esposa, Leila sofreu um acidente aqui perto da escola tal, mas está tudo bem, eu sou enfermeira, ela está tranqüila, aguardando a ambulância, se o senhor puder vir será bom.
Tudo bem, como? Se está tudo bem por que é que não é minha esposa que está falando ao celular? Que história é esta de ambulância?
Saio feito louco pelo trabalho procurando alguém, era horário de almoço, encontro um colega em outra sala. Ele vem comigo e me dá carona até o local do acidente.
Chego lá. Vejo minha esposa sentada no banco do carro, o carro enfiado em um poste, ela parece ainda tonta pela pancada, o rosto sangra. No poste vizinho outro veículo, um fusca, também encaixado. A senhora que me telefonou explica o acidente:
- Sua esposa saiu do cruzamento e atingiu o outro automóvel, perdeu o controle do veículo e bateu no poste.
Eu não consigo pensar em nada. Tento manter o controle. Vejo rapidamente a situação, converso com o pessoal do outro carro envolvido. Peço desculpas, e digo que no momento não tenho condições de falar nada, deixo o meu número de telefone. A ambulância chega na hora em que converso com eles. Leila é retirada do carro e colocada na ambulância. Agradeço rapidamente ao pessoal que atendeu ela, peço ao amigo do trabalho que pegue minha filha no colégio e embarco junto com os médicos até o hospital.
Isto aconteceu em cinco de maio deste ano. Apesar da pancada no rosto, Leila não teve nenhum problema, estava usando o cinto de segurança. Deus é fiel. Ela não costuma usar cinto quando vai pegar Victória no colégio. Neste dia colocou. O acidente foi tão sério que até hoje estou sem carro. Ele vai ficar mais um tempo na oficina, mas minha esposa foi comigo para casa no mesmo dia, sem nenhuma seqüela.
Este é o terceiro caso de risco de morte neste ano de 2008. Ainda no início do ano minha esposa esteve internada por conta de um choque anafilático, que compartilhei aqui com vocês (“O Diabo Se Levanta Para Cair, de Novo”).
Depois desta batalha, enfrentamos outra, com o nosso filho do meio, Victor:
Eu estava a serviço do Senhor quando recebi a ligação de casa me dizendo que ele tinha estilhaçado os vidros da porta de entrada do saguão do prédio. Ele derrapou e chocou as pernas nos vidros, foi parar do outro lado. O sangue inundou o saguão, alguns pensaram que tinha atingido a femoral, as duas pernas ficaram retalhadas, em carne viva. Fiquei a seu lado enquanto dois médicos, um em cada perna, davam pontos nos ferimentos profundos. Meu filho urrava de dor. Apertava minhas mãos. Chorava, e questionava, “por que eu?”. Mais uma vez, novo livramento. Ficaram apenas as cicatrizes e uma história pra contar.
Foram três casos de risco de morte nos últimos cinco meses, fora inúmeras outras situações que temos passado. Por conta destas lutas foi inviável para mim manter o site na mesma freqüência que estávamos acostumados.
Priorizei os e-mails que recebemos. Foi gratificante poder consolar e ajudar os que estão em lutas.
Neste período compartilhamos nossa caminhada com aqueles que o Senhor tem trazido a nós. Estivemos em batalha junto com irmãos com problemas familiares, com pessoas com dificuldade no ministério, com depressão, síndrome do pânico, angústias. Pessoas com relacionamento em crise e com casamentos desfeitos. Gente com problemas com drogas e problemas de identidade sexual. Problemas financeiros e problemas no trabalho.
Gente como eu e você, que vive, que ama, que sofre e que necessita de um ombro amigo que lhe apóie, de um ouvido que o ouça e de uma voz que o console.
Tem sido assim a nossa caminhada. Cremos que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus, nossas lutas têm demonstrado a fúria de satanás, mas também são testemunhos do amor de Deus que tem nos poupado e guardado.
O texto do apóstolo Paulo que abre esta mensagem fala sobre o que estamos vivendo. Evangelho é caminho de vitória, mas também é caminho de lutas. Especialmente quando nos deixamos mover pelo Espírito e nos colocamos na posição para servir. Assim como Paulo, sinto-me levado a estar com os fracos e com os que tropeçam. São os desiludidos, os derrotados, os tristes, os angustiados, os que se sentem inadequados, os não aceitos, os que lutam. É com estes que me identifico. Por estes eu trabalho, oro e choro aos pés do Senhor, e Ele tem dado resposta.
Não entendo evangelho que não seja Palavra para estes. Não entendo evangelho que não estende as mãos para os que estão necessitados à beira do caminho, que passa ao largo dos que foram assaltados pelas intempéries da vida. Sei que tantos levantes é o sinal de que este Evangelho que temos pregado é conforme a Palavra e é vida, capaz de reverter o mal e abençoar a muitos. É a prova de que trago em mim as marcas de Cristo. E é Nele que me glorio.
Ore por nós. Não nos deixe de apoiar e lembre-se de mim e de minha família em suas orações. Precisamos de mantenedores, de obreiros, de cobertura espiritual, de intercessão. Enfim, precisamos de muitas coisas. Mas principalmente precisamos da graça e da misericórdia do Senhor e do apoio e oração de nossos irmãos.
Que o Senhor continue nos usando e nos fazendo instrumento para abençoar sua vida.
Em Cristo,
Pr. Denilson Torres
Ministério Fruto do Espírito
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